Ecomarcha 2017

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Ecomarcha por um Tejo vivo

As actividades humanas no entorno do rio Tejo têm sido e continuam a ser altamente agressivas em toda a extensão da sua bacia. As pressões que sofre o rio são variadas: a captação de água nas cabeceiras do rio para o transvase Tejo-Segura, com o objectivo de transformar insustentavelmente a água em dinheiro, num território alheio à sua bacia, e que deixa o rio com escassos caudais; os efluentes poluídos provenientes da área metropolitana de Madrid, a maior concentração urbana e industrial da península ibérica, que transforma o curso médio do Tejo numa cloaca a céu aberto; a actividade das duas centrais nucleares, Trillo e Almaraz, a poluir e aquecer as suas águas pondo em risco permanente a vida toda do rio e das pessoas.

Os problemas do rio prosseguem com a sua corrente retida nas numerosas barragens na Extremadura e Portugal, onde é retido para fornecer de água ás centrais hidroeléctricas, centrais térmicas e indústrias papeleiras, as quais se apropriam do rio e acabam de o degradar. De tal modo que o Tejo chega exausto e moribundo a Lisboa.

Não é possível permitir que esta situação continue. Não podemos deixar um legado tão funesto às futuras gerações, nem tolerar que a nossa sociedade seja lembrada como aquela que destruiu a vida no Tejo por um benefício económico passageiro, além disso em benefício de poucos.

Mas ainda temos tempo de conseguir que os rios da bacia do Tejo permaneçam vivos com água para a vida, recuperando as suas funções ambientais, culturais e sociais. Para tal exigimos as seguintes medidas:

  • O bom estado ambiental em toda a bacia do Tajo/Tejo. Os governos português e espanhol devem estabelecer as medidas de gestão adequadas, que obrigarem cumprir os estados de qualidade da Directiva Marco da Água.
  • O encerramento e desmantelamento
    da Central Nuclear de Almaraz em 2020 e a Central Nuclear de Trillo em 2024, além das centrais de Vandellós em 2020 e Cofrentes e Ascó em 2021. Queremos todas as centrais encerradas e desmanteladas!!!
  • O estabelecimento no Tejo e em todos os rios da sua bacia de um regime obrigatório e real de caudais ecológicos, que permita a sua recuperação como rios vivos e sãos ambientalmente para toda a cidadania, e a valorização do importante papel ecológico, cultural, paisagístico, económico e social, que tem desempenhado.
  • O termo do transvase Tejo/Segura, cuja permanência e novo regime de exploração não permitem que possível a recuperação do Tejo.
  • O melhoramento na depuração dos efluentes residuais em toda a bacia do Tejo, e muito especialmente na Comunidade de Madrid, cujas águas insuficientemente depuradas chegam ao eixo central do Tejo por meio dos rios Jarama e Guadarrama.
  • Uma exploração hidroelétrica na Extremadura que facilite a chegada de um regime adequado de caudais ambientais a Cedillo, e reduza e elimine todo tipo de poluição no rio Tejo, incluída a radioactiva.
  • Um controle efetivo de ambos Estados sobre a poluição e sobre-exploração agrícolas, pondo limites precisos aos vertidos e captações abusivas.

Pedalamos pelo percurso do Tejo porque reivindicamos um rio com futuro, um rio conservado e um rio como vida. As gentes dos territórios do Tejo podemos conseguir um rio vivo.

Vive o Tejo!

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Vive o Tejo!

Mais outro verão está aí e temos que consertar as nossas bicicletas porque vamos para a Ecomarcha.

Trata-se de percorrer e conhecer territórios ao ritmo vagaroso dos pedais, partilhando experiências e ganhando conhecimento sobre as lutas ecologistas e sociais. Este ano pedalaremos desde o 14 ao 29 de Julho, começando pelas terras estremenhas até a desembocadura do rio Tejo, de Navalmoral de la Mata até Lisboa, seguindo o percurso marcado pelo rio mais longo da Península Ibérica.

A Ecomarcha é uma maneira diferente de passar férias. Apenas se necessita de uma bicicleta, de algum equipamento (não muito, por favor) e muito de bom humor, vontade de partilhar bons momentos, e ter olhos e ouvidos para aprender de tudo o que descobrirmos.

Não é preciso gozar duma condição física especial, nem ter dotes extraordinários para pedalar. Esse tipo de emoções têm de ser procuradas por outras atividades. A Ecomarcha está aberta à participação de quem quiser, e com um pouco de esforço podem participar todas as pessoas desde a juventude até aos maiores, com mais de 70 anos.

Vamos dormir no chão comunitário, disponibilizado pelas populações onde vamos passar: um colégio, um polidesportivo, um pátio,… Conformar-nos-emos com pouco: um local onde ficar com o saco-cama, um duche e um telhado protector. A companhia do grupo fornecer-nos-á a melhor “suite”. Comeremos o que houver e nos apetecer. Uma sandes, um jantar opíparo de produtos locais, umas latas compradas na loja local, uns petiscos no bar da povoação. Se calhar, nalgumas ocasiões algum colectivo local oferecer-nos-a algum jantar popular, com o objectivo de apoiar os nossos projectos. Não exageramos se dissermos, que se têm provado nas Ecomarchas dos melhores manjares do mundo.

Para a inscrição apenas tem-se que preencher o formulário e pagar segundo os días de participação. Não é muito. Com a quota de inscrição tem de ser pagas muitas despesas: coordenação, seguranças, autocarro de apoio e combustível, e alguma outra coisinha que sempre aparece por aí nalgum momento.

Além disso recebes uma t-shirt de algodão ecológico, que irá servir de modo maravilhoso. Recomendamos não demorar com a inscrição, porque estas são limitadas.

De Navalmoral de la Mata até Lisboa, seguindo o curso do rio Tajo

Sairemos da comarca do Campo Aranhuelo, ao norte de Cáceres. Terras agrícolas de longa tradição, assombradas pelos dois reactores nucleares que se levantam em Almaraz, junto do tio Tejo. As bicicletas antinucleares aproximar-se-ão da serra de Corchuelas e da confluência dos ríos Tiétar e Tejo e do Parque Natural de Monfrague, um paraíso para as aves ibéricas mas não livre de ameaças. Seguimos pelo curso do Tejo, rio transformado numa barragem continua, quase infinita. As hidroeléctricas controlam tudo, são donas do rio, da sua água, da sua vida (quase). Barragens dividem povoações, cortam a sua vida, as suas relações. A história do ponte romano de Alcántara, mudo perante o muro da barragem com o seu nome. A povoações da serra de São Pedro, sobreiros, estepes e montados. E o rio transforma-se em Parque Natural Internacional, um rio que finalmente une povos e territórios. As cegonhas pretas não conhecem nacionalidades. Barragem de Cedillo, amputação do caudal que o rio necessita… E entramos em Portugal.

O rio Tejo, poluido e pervertido. Mas um rio que luta pelas suas gentes. Zona de uránio em Nisa, esse mineral que se quis extrair para gerar negócios. Abrantes, cidade celtibérica e medieval, a erguer-se sobre o Tejo. Bosques de azinheiras e sobreiros cedem espaço a uma região de terras de regadio. Um rio exaurido abandona as suas águas no magnífico estuário do mar da Paja. Urbanizações estragam a paisagem, o chão a água. A Ecomarcha chega a Lisboa.

Gritaremos forte e claro que já chega de nucleares; queremos ríos vivos, com água para a vida.

Entidades colaboradoras:

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Etapas

Salvo alguma modificação de última hora que possa ocorrer, que não será relevante, estas são as etapas do percurso:

0) Sexta 14 de julio: recepção en Navalmoral de la Mata.
1) Sábado 15: Navalmoral-Almaraz-Serrejón (40 kms.)
2) Domingo 16: Serrejón-Monfragüe (en Monfragüe dormiremos algún@s em Villarreal de San Carlos: uns 30 kms. o restante em Torrejón el Rubio: a 45)
3) Segunda17: Monfragüe-Serradilla (entre 20 y 35 kms.)
4) Terça 18: Serradilla-Cañaveral (30 kms.)
5) Quarta 19: Cañaveral-Garrovillas de Alconétar (30 kms.)
6) Quinta 20: Garrovillas-Alcántara (35 kms.)
7) Viernes 21: Alcántara-Membrío (35 kms)
8) Sábado 22: Membrío-Cedillo (50 kms.)
9) Domingo 23: Cedillo-Nisa (Portugal): 35 kms.
10) Segunda 24: Nisa-Gaviâo (30 kms.)
11) Terça 25: Gavião-Abrantes (30 kms.)
12) Quarta 26: Abrantes-Chamusca (40 kms.)
13) Quinta 27: Chamusca-Almerim (30 kms.)
14) Sexta 28: Almerim-Vila Franca de Xira (55 kms.)
15) Sábado 29: Vila Franca de Xira-Lisboa (35 kms.) Despedida e fim da Ecomarcha

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Equipamento

Equipamento recomendável

Em geral, recomendamos pouco peso. Poderemos lavar a roupa (necessário levar sabão) e a comida pode-se comprar nas lojas, bares e restaurantes das povoações e cidades onde passarmos, caso não façamos jantares populares.

Ajudar-vos-emos com o peso e volume, dada a posibilidade de levar algumas coisas no autocarro de apoio, o melhor é minimizar a quantidade de equipagem. Apenas levaremos uma mala por pessoa com as dimensões aproximadas 55x55x55 cm. O espaço é limitado e em algunos casos não podemos levar tudo. Além disso devemos privilegear o autocarro para as eventualidades que possam ocorrer.

Assim pois, organização pede para levar nos vossos equipamentos o necessário para cada etapa, porque o autocarro apenas se vai abrir antes de sair e depois de chegar ao destino. E somos muit@s!

BICICLETA: O percurso será feito quase todo por vías interurbanas, e sempre que seja possível pedalaremos por caminhos sem asfalto, pelo que é melhor trazer uma bicicleta de montanha o híbrida.

PESSOAL: 
 Capacete (obrigatório pelo Código de Circulação em vias interurbanas, quase todas as que fizermos). 
 Luvas (é preciso cuidar das maõzinhas). 
 Óculos de sol (os olhos também). 
 Carapuça, lenço, gorro ou o que se quiser para se proteger do sol (este ano o sol do Verão vai castigar). Roupa impermeável (pode ser util se milagrosamente nos cair em cima um chuvasco de verão)
 Garrafa, termo ou bidão para água.

PARA A BICI: Bomba de ar. Câmara-de-ar de reposição (coincidente com as medidas das rodas e a válvula)
 Desarmadores, cola e parches (para pneus furados). 
 Cadeado para deixarmos seguras as bicis em aldeias ou cidades. Alforges para levar tudo. molas e rede elástica para ligar à bici. Luz frontal e traseira, também.
COMIDAS: Para cozinhar comida quente, o que for necesirio para tal.
- Prato, panela (se cozinhar), copo, navalha e talheres. É importante sobretudo para as comidas populares.

CUIDADOS: Pensos para feridas e o que parecer necessário no estojo (no autocarro levaremos também). Creme para aliviar as borbulhas da pele e creme de proteção solar. Mosquiteira ou repelentes de mosquitos (melhor aqueles que contêm apenas citronela como princípio ativo)

NOITES e LIMPEZA: 
 Saco-cama de dormir ligeiro. 
 Esteirinha o colchonete inflável. 
Toalha pouco pesada ou páreo. 
 Peças para o asseio pessoal: sabão, lâminas, cremes, proteção de pele e lábios, papel higiênico, melhor de tamanho pequeno para não pesarem muito. Tampões para ouvidos 
 Tomada adaptadora para os telemóveis.

ROUPA Calções e t-shirt transpirável. Damos como presente uma t-shirt de algodão ecológico. Fato de banho. 
 Calçado adecuado para pedalar e outro calçado para depois. As sandálias de "treking" servem para as duas actividades. Roupa impermeável.. 
 Uma muda para ir às povoações: t-shirt e calças. 
 Blusão ou camisola para as pessoas friorentas (porém é provável que não seja necessário). 
 Mais mudas Chinelos para os duches y piscinas.